O cachorro Valente

O cachorro Valente
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Ano de 1853, Décio um rapaz trabalhador, pai de um filhinho de 2 anos, de um cachorro raça policial de meio porte com o nome de Valente e a sua espôsa. Um dia, sua espôsa  desceu às margens do Rio Grande que cortava sua propriedade próximo à cabana onde havia construido, como habitualmente o fazia toda semana para lavar as roupas e trazer água para o consumo da casa.
Nesse dia, ela descia com uma trouxa de roupas para lavar às margens do Rio Grande, quando na trilha em que ela passava já perto das margens, pisou em cima de uma cobra cascavel que alí passava.
A cobra a picou e a  espôsa veio a falecer dias após, pois não havia sôro anti-ofídico naquela época.
Com isso, ficaram seu Décio, seu filho de 2 Anos e o seu cachorro Valente mestiço policial em sua cabana incrustrada no meio da mata, pois não havia cidade próxima na época, somente os pequenos povoados ou vilarejos.
Décio andava armado com sua cartucheira exatamente para se defender de animais como: onças, lobos, javalís e outros e tinha também o seu cachorro que o ajudava na capitura de pequenos animais para se alimentar.
Num certo dia, percebeu que estava sem mantimento para ele e o menino, para o seu cachorro policial, faltava aviamentos para a sua cartucheira então, precisava ir o  mais depressa possível para o povoado que ficava a uns 20 0u 30 km dalí, para fazer as compras necessárias à sua sobrevivência.
Para ser mais rápido na viagem a cavalo, precisou deixar em casa o seu filhinho de 2 Anos e o seu cachorro Valente, porque sozinho a viagem seria mais rápida.Ao sair de manhãzinha, deixou dentro da sua cabana o menino e o cachorro, deixou comida para o cachorro, deu bastante comida para o menino, deixou um tronco em frente a uma fresta na parede da cabana que dava prô quintal, de modo que só o cachorro conseguia sair ou entrar por alí.  Então fechou a porta da cabana e partiu rápido rumo ao povoado.
Quase no fim da tarde quando seu Décio está retornando para casa com as compras, uma tempestade começa a precipitar por toda região.
Mais de 1 hora de chuva torrencial, relâmpago e trovões, tanta chuva que a região ficou toda inundada, pois o Rio Grande chegou a transbordar. e ele não podia mais atravessar o Rio Grande pelo baixil(denominação do local por onde as águas do Rio Grande passam espraiadas), portanto só restava esperar as águas baixarem do outro lado da margem pois já estava escurecendo.
Seu Décio teve que pernoitar alí na beira do Rio até as águas baixarem para fazer a atravessia.
Cortou algumas folhas de bananeiras pois as faces internas das mesmas estavam enxutas, fêz do arreio o seu travesseiro, deitou-se e começou a refletir a situação em que se encontrava, o de estar alí à beira do Rio sem poder atravessar do outro lado, a alguns Km dalí na sua cabana, o seu filho de 2 Anos sozinho e com fome naquelas alturas e o seu cachorro Valente também com fome junto do seu filho, se de repente seu filho cai e se machuca a ponto de sangrar-se e o cachorro resolve atacá-lo por que está faminto e resolve se alimentar do seu próprio filho.
Mas muito cansado da viagem que estava, acabou adormecendo e teve um pesadêlo horrível: viu que o seu cachorro atacava o seu filho e o ataque foi com tanta fúria
que ficou com o corpo todo ensanguentado pelo ataque ao menino.
Seu Décio nesse momento, acordou assustado pois já estava amanhecendo.
Enqunto pensava nessa possibilidade cruel, conseuiu fazer a atravessia do Rio, e tentava fazer a cavalgada mais rápida enquanto o seu pensamento parecia uma visão e que ele precisava chegar o mais rápido possível para não acontecer uma tragédia ainda maior se é que poderia evitá-la.
E quando vai chegando próximo à cabana, já sente um silêncio quase que profundo, o cachorro não saiu ao seu encontro , o que deveria acontecer, sente que dentro da cabana não há nem um ruído, nem da criança e nem do seu cachorro, pensou como num estalo: Meu Deus, cheguei tarde de mais, tirou as madeiras que fazia de porteira, sacou da cartucheira que estava pendurado no arreio do cavalo, já tremendo com o que poderia estar acontecendo.
Ao ouvir o barulho de quem estava mexendo no cercado, o seu cachorro Valente começa a latir dentro da cabana e sai pela fresta do lado de fora e vai ao encontro do seu Décio.
O cachorro, um policial de médio porte todo acinzentado por cima e todo branco do focinho até a barriga nas partes inferiores, saiu latindo abanando o rabo por ter reconhecido ao seu dono, porém toda a pelagem branca, estava avermelhada, suja  de sangue e já está no meio do terreiro para saudar o seu dono, quando o seu        Décio lembrou do pessadêlo que teve e já estava vendo se transformar em realidade, no mesmo silêncio que havia chegado, apontou a cartucheira bem na cabeça do animal e apertou o gatilho.
Jogou a cartucheira no chão e correu desesperado até a porta da cabana gritando, e se lamentando dizendo: — meu Deus , o que será que aconteceu? E chamava por seu filho com a voz já embargada, esperando o pior.
Rápidamente abre a porta da cabana e se depara com o seu filhinho brincando de puchar o rabo de uma onça morta alí no meio da sala, que o seu cachorro Valente, havia acabado de matar depois de uma luta sangrenta para salvar o menino.

(História: Autor Desconhecido).
(Redação : Apolinário P O Filho).