O rapazinho e o Cavalo

 O Rapazinho e o Cavalo

Um Rapazinho de 10 ou 12 Anos, família humilde do povoado gostaria tanto de ter um cavalo para ir à escola, prô trabalho, prô lazer, etc.
Mas ele queria tanto um cavalo que até a vizinhança do povoado já sabia da vontade que ele tinha.
E o seu pai, um senhor muito religioso dizia a seu filho: se você tiver um cavalo, É da Vontade de Deus.
Um belo dia, passa pelo povoado bem na rua em que o rapazinho morava, uma tropa com dezenas de animais (cavalos) seguindo viajem para outra região.  Então o rapazinho ficou em cima do portão da sua casa apontando com o dedo cada animal que passava: vou comprar esse, esse, mais esse, aquele, mais aquele e quando passou a tropa toda o último cavaleiro, o dono da tropa,  parou seu alazão e perguntou ao rapazinho: aquela égua acabou de criar e o seu filhote não tem forças para seguir com a tropa, você quer ficar com o filhote?
Mas eu não tenho dinheiro, moço respondeu o rapazinho.  Não precisa de dinheiro não, vou dá-lo de presente!
E deixou o filhote para o rapazinho e seguiu viajem.
Nisto vem o vizinho e comenta com o pai do rapazinho:
—- Seu Olavo, que sorte teve seu filho, heim!  Sonhou tanto com um cavalo, que acabou ganhando um.
E seu Olavo muito ponderado, Responde: —- Pode ser para o bem, ou para o mal!  É a Vontade de Deus.
Alguns Anos depois, já estava um cavalo formado, bem domado e tratado, o rapazinho já estava um jovem de 18 Anos, que passeava com seu cavalo pelo povoado e o seu vizinho comentava: —- Que sorte tem seu filho heim seu Olavo, passeando com o cavalo que ganhou do tropeiro!
Pode ser para o bem, ou para o mal.  É a vontade de Deus!
Alguns meses depois, o jovem vai até a cocheira para atrelar o cavalo e o cavalo não estava lá, procurou pelo pasto e não encontrou, o cavalo não era castrado, fugiu da propriedade, indo para uma mata virgem que fazia divisa com o pequeno sítio dos pais do jovem, possivelmente à procura de uma fêmea.
Já passava mais de um mês e o jovem não mais via seu cavalo e o seu vizinho comenta com o seu Olavo: —- Que azar teve seu filho, heim seu Olavo:  ganhou o cavalo, criou, domou, comprou arreios e agora fugiu!
E o seu Olavo respondeu: -Pode ser para o bem, ou para o mal. E se for o o mal, foi para o bem. É a vontade de Deus.
E mais um mês depois, o jovem abatido pela perda do cavalo, acorda de manhãzinha, porque tinha ouvido relinchos de madrugada e não sabia se era sonho ou era realidade e eis que em seu curral, lá estava o seu cavalo de volta com mais de uma dezena de outros animais (cavalos selvagens) que o acompanharam até o estábulo.
O jovem mais que de pressa, fecha o portão do curral e começa a cuidar dos animais que lá apareceram.
Aí,  o vizinho comenta com seu Olavo: —- Que sorte teve seu filho, heim seu Olavo: —- o cavalo voltou e trouxe mais de uma dezena de presente para seu filho, sorte mesmo! E o seu Olavo ponderado como sempre, responde:
Pode ser para o bem, ou para o mal.  É a vontade de Deus!
Depois de ter domado e vendido diversos deles, num certo dia estava domando um cavalo que ao sair a galope,
o cavalo tropeçou e cairam: cavalo e cavaleiro ao chão.
Ao cairem, o cavalo caiu em cima de uma das pernas do jovem, o qual teve uma fratura exposta na perna acima do joelho ( no fêmur, o maior osso do corpo humano).
Com isso, o jovem foi levado para um hospital, onde ficou 20 dias internado em uma clínica, para fazer cirurgias, colocação de pinos, remoção dos pontos, etc.  E quando o jovem volta ao povoado numa cadeira de roda, o seu vizinho comenta novamente:—- Que azar teve o seu filho, heim seu Olavo:  Agora que estava ganhando dineiro amansando e vendendo os animais, quebrou a perna e vai ficar alguns Anos  em cadeira de rodas, em muletas até aprender a andar novamente!
E o seu Olavo com a sua fé católica, responde: —- Pode ser para o bem, ou para o mal! E se foi para o mal, pode ser para o bem.  É a vontade de Deus.
Algumas semanas depois, um acontecimento inesperado aconteceu naquele povoado: uma guerra civil foi declarada entre o povoado e a província vizinha que era 3 vezes maior que a população do povoado e todos os jovens acima de 18 Anos tiveram que alistar-se para se enfrentarem nas batalhas com seus fuzís.
E o seu vizinho, de novo volta a falar com seu Olavo:
—– Que sorte teve o seu filho, heim seu Olavo:Com a perna quebrada e numa cadeira de rodas, foi dispensado do alistamento militar. Muita sorte mesmo!
E o seu Olavo responde: —-Eu não disse?  Pode ser para o bem, ou para o mal.  E se foi para o mal, pode ser para o bem!  É a vontade de Deus que fêz com que nosso filho estivesse vivo aqui entre nós, neste momento tão crucial.

(História: Autor Desconhecido)
Redação: Apolinário P.O.Filho