A forca

A Forca

Seu Zote, um fazendeiro com mais de 1000 hectares de terras, uma das maiores propriedades da Região, já estava viúvo e tinha um filho de 15 Anos que abandonou a escola
para viver se exibindo o poder de ser filho único do maior fazendeiro da Região.
Muito cotado com as mulheres por ser filho de quem era,
ele passava semanas longe da fazenda do seu pai e só voltava pra saber se estava tudo bem com seu pai e dizer que estava muito bem.
Seu pai muito trabalhador e muito atento com a fazenda  as finanças e a administração da mesma, um certo dia chamou seu filho e disse: —- Filho. teu pai já está velho e você precisa ajudar o teu pai administrar a fazenda por que você é o único herdeiro e toda fazenda vai ser sua.
Tudo bem pai, mas o sr sabe né, eu já estou na idade de me enturmar, de viajar, de paquerar, de ir às boates, etc.  E grande parte do que o seu pai ganhava na fazenda, seu filho gastava a bel prazer: em roupas de grife, botas, chapéus, tinha o cavalo mais caro e bonito da região para passear, muitas meninas a seus pés e por sinal interesseiras, boates, farras, as amizades, as viagens, em tudo, participava
e gastava com ( e para) seus amigos.
O seu Zote, vendo que o seu filho estava irrecuperável em seu estilo de vida e impossível de torná-lo responsável pela administração da fazenda, ainda por cima de tudo, um dia  descobriu que estava com uma doença  grave, com certeza desenganado e poderia morrer em alguns meses.
Certo dia, quando seu filho retorna à fazenda depois de uma viagem que fêz aos EUA, o seu pai o chama para o seu gabinete (epécie de escritório  para efetuar os pagamentos dos colonos) e deu um último recado para o seu filho:
Filho, eu soube que lá no Miame voce além de gastar com as mulheres, você jogou jogos de azar, rolêtas e no desespero de recuperar tamanho montante, acabou com toda a reserva que havia na conta corrente do  banco.
Sabe filho, você que não pára pra pensar sobre as responsabilidades da fazenda,  nem como se administra a mesma, um dia desses eu precisei ir ao médico pois não estava me sentindo bem e lá descobri que estou com uma doença gravíssima,e estou para morrer qualquer dia desses.
E o seu filho sensibilizado com a situação, responde: —- Mas, pai porque o sr não me disse antes?
E o seu Zote vendo que o seu filho já estava preparado psicológicamente para uma notícia ruím, então aproveitou o momento e fêz o seu último pedido ao seu filho.                 Filho, você entrou aqui nesta sala(gabinete) e nem prestou atenção: tá vendo aquelas 4 tábuas pregadas entre si e no canto da parede que vão até o teto? Mais as 4 tábuas de 1 metro e meio que vem do canto alto do teto até o meio da sala?
A carretilha presa em baixo delas la no canto alto da parede e outra carretilha aqui na altura da sua cabeça com uma corda com laço de correr já pendurado na carretilha?
O filho então se antecipa e corta a conversa do pai: —-     Já sei paizão o que o sr vai me pedir: o sr quer que eu faça um poço bem aqui no meio do escriorio, não é?
Seu Zote apesar da doença terminal ainda quiz esboçar um leve sorriso com a pergunta do filho.
Mas voltou ao assunto sério que estava falando.
—- Filho, o meu último pedido é o seguinte: eu não quero que você se recuse e nem se arrependa.  Se um dia eu faltar e você tiver que administrar a fazenda, o que você nunca se preocupou em aprender, ou seja lá o que for o que aconteça , de acabar o seu dinheiro ou a fazenda por motivos excusos, eu não quero e nem gostaria que você passasse por nenhuma dificuldade como nunca passou até aos dias de hoje, nem quero que você viva como mendigo por aí ou ficar sozinho por este mundo de meu Deus.
—- Então filho, está aí o meu último pedido: se você chegar a esse ponto, você não vai ter mais nada a fazer, senão a de fazer a minha última vontade. —- Fala logo pai, tô ficando ansioso, indagou seu filho.
E o seu Zote prosseguiu: —-isto aqui é uma forca que eu construí a alguns anos atrás e quando você tiver alguma dificuldade com a fazenda, ou por falta de dinheiro, você virá aqui neste escritório, entra  embaixo do laço da corda,
sobe na cadeira, coloca o laço no pescoço, puxa e deixa bem apertado e chuta a cadeira.  É a sua única saída pois eu te conheço a quase 30 anos.
E o seu filho: —- Tá bom pai, nem sei por que o sr fêz isso, mas eu vou fazer o que o sr tá mandando se acontecer coisas erradas na minha vida, pode ficar tranquilo, pai.
Algumas semanas depois, seu Zote veio a falecer, mas já tinha deixado um testamento pronto para o seu filho, que era para seu filho não ter nenhum prejuizo de cartórios.
O filho, como não tinha experiência de administrar a fazenda e sabedor dos riscos das atitude que iria tomar, foi
ao banco e ipotecou a fazenda e passou a administrar a nova conta gorda , a qual ele possuia cheques e cartões.
Chegou para os seus colonos que lá trabalhavam e disse:
—- De hoje em diante, tudo o que vocês plantarem e colherem serão tudo de vocês: plantem o que quizerem, onde quizerem e como quizerem.  Vivam em paz.
Passado alguns Anos, depois de tantas festas, viagens ao exterior, mulheres, farras, jogos de azar, etc. um dia o rapaz percebeu que  seu dinheiro no banco havia acabado
A fazenda só produzia para os próprios colonos como ele havia prometido e nada mais podia fazer.
De repente, os seus amigos não mais o procuraram, as mulheres começaram a fugir da sua companhia, viciado em jogos que era, não podia mais arriscar a sorte no poker, por não saber administrar a fazenda perdeu-se todas as terras
pois não havia dinheiro para resgatar os títulos vencidos da
ipoteca, enfim, não encontrou saídas para vida que levava.
Chateado com a situação, revoltado pelas oportunidades que deixou escapar, sem os amigos, as mulhers, os seus vícios e nehum dinheiro para recuperar os títulos vencidos da ipoteca da sua sua fazenda, o filho lembrou-se do último pedido do seu pai antes de morrer.
Ciente da atitude que iria tomar, tomou um bom banho, vestiu a melhor roupa que havia em seu armário, Jantou como se fosse a última refeição, depois foi para o escritório que ficava ao lado da sala de estar.
Lá chegando, entrou embaixo da corda pendurada no alto, colocou a cadeira e subiu nela, botou a corda no pescoço e apertou o nó, e ainda disse as últimas palavras, quase chorando e indagando ao seu pai: —-Meu pai, como o sr sabia que um dia eu iria ter que colocar a corda no meu próprio pescoço e chutar a cadeira?
Ao chutar a cadeira, o seu corpo desceu com tanta força,
o braço da forca estava frouxo e a as tábuas muito velhas,
se soltaram e cairam  com o suicida.
Assustado, ele se solta do nó que estava já sufocando, e observa que dentro daquelas tábuas que formava o braço da forca, estava cheio de ouro e pedras preciosas, o tanto que dava para ele saldar a dívida do banco e aumentar ainda mais a sua propriedade, além de restaurar toda credibilidade que o seu pai tinha quando era vivo.
E junto dessa fortuna que estava dentro do braço da forca estava também um bilhete deixado pelo seu pai que dizia:
“FILHO, ESTA É A SUA ÚLTIMA CHANCE!”

História: Autor Desconhecido.
Redação: Apolinário P.O.Filho.

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