Ramo perigoso.

I

Vou contar uma verdade
Por ser a realidade
Acontecido na cidade
De S.Paulo – Capital
Do Juca Losê Rodrigo
Destemido do perigo
Era morador antigo
Da zona do pantanal
Ele veio pra cidade
Por uma infelicidade
Pois numa calamidade
Perdeu a casa e plantação
De poconé à muitas milhas
Veio com espôsa e filhas
Era mais uma família
Abandonando o sertão.

II

Sem estudo e sem dinheiro
Vejam só o desespero
Fizeram seu paradeiro
Aqui numa periferia
Mas a fome e o desgosto
Longe do seu pressuposto
Estampou-se em seu rosto
Logoum ar de ironia
Sua família com fome
Com dores no abdomem
Ele julgou ser um homem
Pra acabar com a aflição
Com o seu brio ferido
Pois tudo estava perdido
Convivendo com bandido
Transformou-se num ladrão.

III

Assaltos à mão armada
Vivendo nas emboscadas
Substituiu sua enxada
Por uma arma potente
Mas amparou sua família
Sua espôsa e suas filhas
Seguindo sempre as trilhas
No ramo de delinquente
Já com um  dinheiro certo
Ele ficou muito esperto
Comprou um terreno perto
Do lugar onde morava
Construiu sua casinha
Humilde e bem bonitinha
Com o dinheiro que vinha
Daqueles que ele roubava.

IV

Um dia já realizado
Chamou a mulher de um lado
E falando com cuidado
Mulher eu vou me entregar
Avise as filhas queridas
Desta notícia doída
Que eu fiz de tudo na vida
Só não aprendi a matar
Hoje ele cumpre pena
Que aqui tudo se condena
Por que o juiz ordena
Que seja cumprida a lei
Mas ele sem ter receio
Pegou seis anos e meio
Lembrando que de onde veio
Seria um preso também.