Pequenos gigantes

I

Certa vez eu presenciei / este fato muito interessante
De um grande industrial / de cerveja e refrigeantes
Numa noite que ele estava / em um  rico restaurante
Nisto viu numa mesa ao lado
Um rapaz mal trajado
quase um ambulante.

II

De repente o industrial / prô rapaz fez um gesto arrogante
E pediu para o garçon / uma outra mesa bem mais adiante
Ele disse ainda ao garçon /Eu sempre detesto neste restaurante
A presença de pessoas pobres
Em lugares nobres
Como este elegante.

III

Irritado o industrial / prô rapaz falou triunfante
Sou presidente de cervejaria/ hoje com certeza eu sou um possante
Posso até comprar ilhas em Ângra / só vendendo refrigerantes
Escute aqui meu rapaz
Me orgulho de mais
Em ser um importante.

IV

O rapaz então respondeu / de maneira muito confiante
Me desculpe porém meu senhor / se o meu traje é de um viajante
Um freguês tem sempre razão /mesmo que faça papel humilhante
Não me julgue pelo vetuário
Sou o proprietário
Deste restaurante.

V

E o rapaz  usando a calma / demonstrou  também  ser um possante
Eu tenho garimpo em Goiás / e 1000 garimpeiros já são constantes
Eu aposto que a cervejaria /que o senhor julga ser o bastante
Não vai dar pra comprar um pedaço
Nem mesmo um estilhaço
Do meu diamante.

VI

O rapaz disse prô industrial / toque aqui meu pequeno gigante
Também sou um dos pequenos /mas ao Brasil somos importantes
Jesus Cristo Nosso Senhor / sem Ele nós somos pequenos errantes
Onde Ele pairar sôbre a terra
Nunca existe guerra
E nem há comandante.