O boi fantasma

I

Certa vez numa viagem
Que eu fiz pra Minas Gerais
Aconteceu uma passagem
Que eu não esqueço jamais
Fui levar uma boiada
Eeu mais sete capatais
O  berranteiro ia na frente
Conduzindo indiferente
Seis no meio e eu atrás.

II

Mais de duzentos novilhos
Iam cortando o sertão
Era a soma que eu levava
Lá naquele chapadão
Estava quase anoitecendo
O sol já quase sem clarão
Já se ouvia os passarinhos
Recolherem aos seuus ninhos
Anunciando a escuridão.

III

Mas fomos atravessando
Aquela mata fechada
Pra descansar os novilhos
numa próxima capada
E numa velha paineira
Que cobria toda estrada
Quando eu passei poela
Quase que caí da sela
Parecia uma emboscada.

IV

De repente um boi bravo
Surgiu no pé da paineira
Investiu no meu cavalo
Espantando a boiada inteira
Então passei a mão no laço
Não tive outra maneira
Mas quan peguei o laço
Eu fiquei num embaraço
E o boi sumiu entre a poeira.

V

Quando olhei para frente
Eu não vi mais a boiada
Só meus set capatazes
Se encontravam na estrada
Me falaram de repente
Houve um estouro da boiada
Se espalharam mata a dentro
E não se vê em nenhum momento
Um só boi nas arribadas.

VI

Eu senti um frio na espinha
Com o que tinha ocorrido
Ali fizemos a pousada ´
Pois já tinha anoitecido
Mas se ouvia noite a dentro
Eu nem fazia sentido
Do tocar de um berrante
Que se ouvia a todo instante
Parecia um gemido.

VII

Quando o dia amanheceu
Avistei toda a boiada
Todas ali reunidas
Ruminando na estra
Quase não acreditei
Porém seguimos a jornada
E quando entreguei o boi
Comentei como que foi
Sôbre minha caminhada.

VIII

Ao contar prô fazendeiro
Ele então me respondeu
Nessa estrada tem um vulto
De um boi que ali morreu
Aquele é o boi assassino
Que  pra você apareceu
Matou o menino da porteira
E no pé daquela paineira
Que o boiadeiro o abateu.

IX

Quando esse boi aparece
Espanta toda a boiada
Então se ouve um berrante
Entoando as baixadas
É o menino da porteira
E sua alma imaculada
Toca os bois entre os os espinhos
E os reúne no caminho
Pra cumprir sua jornada.