Cabo Vicente

I

Seu José morava em São Paulo
Em uma das periferias
Trabalhando até mesmo a noite
Para ganhar o pão de cada dia
Quando ele vinha do trabalho
Cortava um atalho
numa atravessia
Cruzando terrenos baldios
Onde algum vadio
Ali se escondia.

II

Certa noite saiu do trabalho
Para sua casa estava indo
Ao passar num terreno baldio
Percebeu três caras logo perseguindo
Seu José de repente gelou
Quando um deles gritou
Pare aí seu cretino
Não percebes que isto é um assalto
Ponha as mãos prô alto
Estou lhe pedindo.

III

Nesse instante parou uma rota
Clareou na naquela direção
Lá de dentro saltou um soldado
Com uma metralhadora nas mãos
E então aos bandidos gritou
Esperem que eu vou
Lhes dar uma lição
Os bandidos com medo fugiram
Em pouco sumiram
Na escuridão.

IV

O soldado foi se aproximando
E falou de modo cortêz
Sei que nada lhe aconteceu
Foi apenas um susto porém desta vêz
Nunca faça esse itinerário
Em certos horários
Ou em fim de mês
Mas se você precisar da gente
Sou o cabo Vicente
Da quarente e três.

V

Seu José prometeu-lhe um presente
Por sentitr-se recompensado
No outro dia na quarenta e três
Contou o ocorrido para o delegado
Seu José falou, Seu Doutor
Peço por favor
Passe este recado
E também mais este presente
Ao Cabo Vicente
Por ter me salvado.

VI

O delegado falou Seu José
Não precisa ficar assustado
Esse cabo já é falecido
E que Deus o tenha muito bem guardado
Sempre  em busca de marginal
Messe matagal
Que o Senhor tem passado
Foi lá mesmo a três anos atrás
Que pelos marginais
Morreu baleado.