A fauna em extinção

I

Mas que saudade
Dos curiangos na restinga / na madrugada a cantar
Da coruja piar no tôco / nas noites que tem luar
Das codórnas na invernada / piando no entardecer
O inhambú na palhada / hoje lá não vai se vê.
Dos marrecos na lagôa / quando faziam verão
A batuíra lá no brejo / voando sem direção
Os quero-queros lá na várzea / sempre fazendo escarceus
O gavião lá na mata / não se vê mais pelos céus.

II

Mas que saudade
Das seriemas lá no campo / cantando no amanhecer
A jurití lá no cerrado / nas ramads se esconder
O inhaçanã  lá no banhado / anunciando um novo dia
O saracura no grotão / De lá também anuncia.
Dos açuns no bambuzal / sempre dormindo aos bandos
A sondária em noite escura / com seu trinar agourando
O socó voando firme / Sempre em busca de lagoas
A garça branca lá no lago / hoje lá já não mais voa.

III

Não me conformo
Com esta devastidão
Nossa fauna  em extição
Quase já não se vê mais.
Por que o homem
E a lei da sobrevivência
Que não mede consequências
Nas coisas que sempre faz.