Sol ardente

I

Aqui no Nordeste sempre
Com fome sêde e aflição
Pisamos na terra quente
Queimamos o coração
Sob este sol ardente
Que incendeia o certão
Vão morrendo lentamente
Gado, gente e plantação

(Estribilho)

Por isso pego a viola
Só ela que me consola
Nas noites que tem luar.
Então,
Eu vou cantar.
E choro
No braço desta viola
Me calo,
E me ponho a rezar:
Ave Maria cheia de graça
O senhor é convosco,
Bendita sois Vós
Entre as mulheres,
Bendito é o fruto
Do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria  Mãe de Deus,
Rogi por nós Pecadores,
Agora e na hora
De nossa morte, Amém.

II

Oh meu Deus onipotente
Faça chover no sertão
Tenha ao menos dó da gente
Enchendo o ribeirão
Já secaram as vertentes
Só há poeira no chão
O que guardamos pra semente
Pusemos no caldeirão.

(Esribilho).