Sertanejo nato.

I

Sou sertanejo
Sou também um lavrador
Eu moro lá no interior
Numa casinha modesta
Feita de taipa
Amarrada com cipós
Nos esteios têm os nós
E nas paredes muitas frestas.
Lá no terreiro
Tenho frangos e galinhas
No curral minhas vaquinhas
E tenho porcos pra engordar
E um cachorro
Vira-lata dorminhôco
Deitado ao lado de um tôco
Que eu pus pra descançar.

II

De manhanzinha
Logo ao romper da aurora
Fico olhando lá de fora
A chaminé fumaceando
É a Joana
Trabalhando no fogão
Ateando o tição
E um cafezinho coando.
Ali eu ouço
O cantar das passaradas
Ao fazerem revoadas
Logo no romper do dia
São sabiás e também as tesoureiras
As andorinhas sorrateiras
Todos na mesma harmonia.

III

No horizonte
O sol logo vai surgindo
O orvalho vai caindo
É hora de ir prô eito
Pego a enxada
E uma pedra de amolar
O  negócio é trabalhar
Porque não tem outro jeito.
Bem de tardinha
Pra casa vou retornando
E os caniços vou pegando
Pra no açude pescar
Só numa hora
Que eu fico ali pescando
Pra casa vou retornando
Com a mistura prô jantar.