Rastos de saudade

I

Estribilho)

Boi pinhão e o boi fumaça arrastavam  o carretão
Os dois bois deixaram rastos de saudade no sertão

I

Quantas histórias / ouvi de carros de bois
De boiadeiro / de berrantes e boiadas
Que são presentes / de uma era que se foi
Em todas tem / sertão poeira bois e estradas
Porém notei / que em nenhuma dessas histórias
Aconteceram /  igual a do meu avô
Que me contava / com os olhos cheio de glória
Do seu passado / que  o sertão presenciou
Me contou que / de uma velha perobeira
Do grosso tronco / um carro de bois contruiu
E com o galho /  por ser de boa madeira
Fez as cangalhas /  fez varão e fez canzil
Ele já tinha/ o boi fumaça e o boi pinhão
De uma herançã / desde que eram bezerrinhos
Por muitos anos / arrastaram o carretão
Sertão a fora / foram fazendo caminhos.

II

Passaram-se / os anos e os dois bois
Já cansados /  de tanto velhos morreram
Vovô guardou / o couro e a cabeça dos dois
Como lembrança  / dos anos que precederam
Como carreiro / ele fez a sua vida
Quando ele tinha / o boi fumaça e o boi pinhão
Pra ter um pouco / dos dois bois em suas lidas
Pra boiadeiro / ele mudou a profissão
Então do couro / que tirou do boi fumaça
O mesmo boi / que foi fundando as estradas
Ele fez / um laço de doze braças
E uma chibata / com argolas prateadas
E fez também / dos chifres do boi pinhão
Além de um guapo / um berrante vibrador
E nas estradas / empoeiradas do sertão
Conduzia a boiada / com louvor.

III

Lembra vovô / que ao laçar um touro de raça
E o laço forte / tenteava o touro no chão
Imaginava  / o corpo do boi fumaça
Puxando o carro na subida do grotão
E quando ele /  tocava o berrante
Uma saudade  / lhe cortava o coração
E a lembrança /  lhe feria a todo instante
Pois recordava / o mungir do boi pinhão
Se ele às vêzes / tocava duzentos bois
E o seu cavalo / comparava ao carretão
Na sua mente / ele só tocava dois
No passo lento/ o boi fumaça e o boi pinhão
Se ele avistava / o carro no pé da paineira
Durante as noites / quando a lua faz clarão
Lá ele via o / os dois bois entre as clareiras
Se coçando / nos fueiros do carretão.

(Estribilho).