Meu pedaço de chão

I

Que bonito é a minha palhoça
Um ranchinho na beira da roça
Na barranca lá do ribeirão
Entre o lindo verde das matas
Dos vales, rios e cascatas
É assim meu pedaço de chão.
Que bonito são as paisagens
Lá no campo entre as pastagens
Ver o verde daquele lugar
Das árvores sempre sombrias
Em pleno sol do meio dia
E o cheiro de relva no ar.

II

Que bonito são as vertentes
Transformando-se em águas correntes
Se formando um belo ribeirão
Onde os peixes em piracema
Que completam o ecossistema
Deste lindo pedaço de chão.
Que bonito são as madrugadas
Nas noites enluaradas
Do terreiro eu fico a olhar
Cerração levantando das serras
Parecendo que o céu veio à terra
Ou que a terra está lá no ar.

III

Que bonito é a velha tapera
Com a simplicidade da era
Desde o quarto onde eu nasci
Onde tudo é de chão batido
O terreiro sempre bem varrido
È a coisa mais bela daqui.
Que bonito as manhãs orvalhadas
Ver o orvalho nas folhas molhadas
Sob a luz de um sol ao raiar
A luz no orvalho se reflete
Sôbre as gotas que mais parecem
Um diamante que está a brilhar.

IV

Que bonito è o pé de taiúva
Ao lado o pé de cabriúva
Bem atrás do velho paiól
Aonde os passarinhos
Nos galhos fazem seu ninhos
Sempre alegre desde o arrebol
Que bonito é a realidade
Onde sinto somente vaidade
E por isso me ponho a contar
Que eu vivo o tempo de outrora
Comparando-se ao tempo de agora
È um céu meu antigo lugar.