Lembrança sertaneja

I

O vento, o espaço
O Céu, o mormaço
(O cheiro das matas)
Me faz eu voltar,
Ao tempo de outrora
Que eu lembro agora
(Pois tudo retrata)
Meu chão, meu lugar.

II

Daquele caminho
Em meio aos espinhos
(A ladeira grotêsca)
E a vertente a seguir,
Eu vinha da roça
Direto na pôca
(Beber d’água fresca)
Pra depois partir.

III

Chegava em casa
Já estava na brasa
(A gostosa polenta)
De angú de fubá,
Na mesa a travessa
(Com carne à bessa)
E o vidrão de pimentas
Colhidas de lá.

IV

Dos fins de semana
Que coisa bacana
(A gente não via)
O tempo passar,
Ficava por fora
Curtindo as horas
(Mas aparecia)
Só para almoçar.

V

E as pororócas
Daquelas barrócas
(Das águas do salto)
Sempre a jorrar,
Nas faces limbosas
As avencas viçosas
(Pendidas do alto)
É bom contemplar.

VI

E da primavera
Que cobre a tapera
(E as fôlhas vistósas)
Do pé de guembê,
E da trepadeira
Formando parreira
(E a sombra gostosa)
Do pé de ipê.

VII

E os passarinhos
Com seus filhotinhos
(Fazendo escarceu)
Lá nos cafezais,
E os quero-queros
Com seus lero-leros
(São coisas que eu)
Não esqueço jamais.

VIII

Eu sei que o passado
Ficou-me marcado
(Por isso ressalto)
Que até já sonhei,
Com a antiga morada
Entoando as baixadas
(Gritando bem alto)
Eu volte-e-e-e-e-i!