Lá dentro

I

Lá dentro do meu terreiro
Gavião não faz rodeio
Lá dentro a minha espingarda
Eu penduro no esteio
Lá dentro que o pôtro arisco
Faço deitar com o arrêio
Lá dentro eu pego a vióla
Canto, toco e sapatêio
Lá dentro que eu faço rimas
No catira bato em cima
E violeiro foge do meio.

II

Lá dentro vai violeiro
Que tem fama lá  na praça
Lá dentro ele se amoita
porque lá não tem trapaças
Lá dentro eu faço versos
Na hora ele se embaraça
Lá dentro que ele gagueja
E tem que aguentar na raça
Lá dentro, digo e repito
Coisa que não adimito
É violeiro fazer pirraça.

III

Lá dentro com os violeiros
Não estou correndo risco
Lá dentro eu sapateio
Canto certo e não arrisco
Lá dentro eu improviso
Não escrevo e nenm rabisco
Lá dentro que a tempestade
Para eu vira chuvisco
Lá dentro a minha viola
Eu uso como gaiola
Pra prender violeiro arisco.

IV

Lá dentro das minhas terras
Valentão não entra e sai
Lá dentro se entrar na marra
É a pior coisa que faz
Lá dentro sou eu quem manda
Onde fôr eu vou atrás
Lá dentro ele perde a fama
Comigo não tem cartaz
Lá dentro com meu catira
Violeiro se retira
e não volta nunca mais.

V

Lá dentro é uma brincadeira
Destes versos que eu cantei
Lá dentro platéia amiga
Violeiros eu respeitei
Lá dentro peço desculpas
Se às vêzes desagradei
Lá dentro se eles foram
Foi porque os convidei
Lá dentro todos violeiros
São também meus companheiros
Com aplausos de vocês.