Eu e a natureza

I

Ao despertar nas madrugadas
Vejo a noite enluarada
Prateando as baixadas
Do terreiro fico ouvindo,
O ruído das cascatas
Cantam os curiangos na mata
Parecendo serenata
Mais um dia lá vem vindo.

II

Então a lua matutina
Que lá do alto ilumina
Empalidece com a neblina
Quando vem o amanhecer,
Ao vir o romper da aurora
A neblina vai-se embora
Canta  os galos toda hora
È o sol que vai nascer.

III

Em meio a alvorada
Então se ouve as passaradas
Entoando as baixadas
Anunciando um novo dia,
A curruira na cumieira
Os sabiás na laranjeia
Os sanhaços na amoreira
Todos na mesma harmonia

IV

Logo um sol avermelhado
Com os seus raios dourados
Risca os céus por todo lado
Traçando todo horizonte,
As estrêlas vão sumindo
O orvalho vai caindo
O sol aos poucos subindo
Até surgir atrás dos montes.

V

Vai subindo lentamente
E o seu brilho de repente
Salpica a água corrente
E se reflete ao ribeirão,
Das cascatas as correntezas
O sol banha a natureza
É de tão rara beleza
O amanhecer do meu sertão.

VI

Mas, as horas vão passando
A manhã vai se acabando
O meio dia vai chegando
É mais um dia de calor,
O sol quente ofegante
Torna a terra tremulante
Com seus raios incessantes
E a terra muda de côr

VII

Mais um dia vai se indo
E a tarde vai caindo
O calor diminuindo
Com o sol ao se esconder,
Logo vejo os passarinhos
Recolherem aos seu ninhos
Protegendo os filhotinhos
Anunciando o anoitecer.

VIII

Também o rei do terreiro
Vai subindo ao poleiro
Pois passou o dia inteiro
Correndo daqui e de lá,
Aí eu pego meu pinho
Vou à frente do ranchinho
Faço um tôco de banquinho
E começo a me inspirar.

IX

Faço versos de improviso
Me esforçar nem é preciso
Pois eu sempre idealizo
A minha própria canção,
Falo do verde das matas
Dos riachos e cascatas
Sempre em tom de serenata
Canto as coisas do sertão.

X

Vem a noite e eu já cansado
Vejo o céu todo estrelado
Boto a viola do lado
Pois é hora de dormir,
Então rezo com virtude
E peço que Deus me ajude
Que me dê força e saúde
No amanhã que está por vir.