Carreiro e boiadeiro

I

Fui carreiro e boiadeiro
Por este chão brasileiro
Também um dos pioneiros
Trablhando nesta lida.
Conduzindo o carretão
Deixando marcas no chão
Era eu pelo sertão
Arriscando a própria vida.
Eu fazia as picadas
Cumprindo minha jornada
Dentro das matas fechadas
Com as rodas do carretão.
Quanta lenha carregava
E o carro então cantava
O seu ronco ecoava
Lá no meio do grotão.

II

Aquelas velhas picadas
Se tornou mais uma estrada
Que já foi pedregulhada
Hoje asfalto já tem lá.
O carretão e a carroça
Que nos serviam na roça
Destruiram as coisas nossas
Para os caminhões passar.
Agora vejo na verdade
Em alta velocidade
Pro sertão ou pra cidade
Carros, caminhões  correr.
Sem saberem que um trechinho
Construido com carinho
O princípio do caminho
Eu que ajudei fazer.

III

Até a minha tapera
Junto ao pé de primavera
A mais certinha da era
Hoje quase nem se vê.
Mas quem olha lá da estrada
Vê ao lado uma morada
Muito bela e projetada
Só pra dias de lazer.
Eu que era o pioneiro
Carreteiro e boiadeiro
Sou só um simples caseiro
Do meu vizinho e patrão.
O da casa projetada
Construida na picada
Pois o dono da morada
É meu filho Dr.João.