Adeus rancho querido

I

A muitos anos
Na minha terra querida
Eu levava a minha vida
Simplesmente de roceiro
No meu ranchinho
Lá na beira da estrada
Onde a lua prateada
Clareava o meu terreiro.
De manhanzinha
O sol nascia atrás dos montes
Vermelhava o horizonte
Era lindo o amanhecer
Eu trabalhava
O dia todo de enxada
E terminava a empreitada
Antes do sol se esconder.

II

Até que um dia
Deixei meu torrão primeiro
Troquei tudo por dinheiro
E na cidade vim morar
Comprei uma casa
Em um bairro afastado
Mas deixei alguns trocados
Pra poder me sustentar.
Não foi um ano
E o meu dinheiro tinha ído
Então fiquei arrependido
Da besteira que eu fiz
Ao me lembrar
Da minha terra adorada
Que eu transformei em nada
E me tornei um infeliz.

III

Pois o destino
Traiçoeiro tão ingrato
Fez de mim mais um retrato
Quando deixei o sertão
Nesta cidade
Sou apenas bóia fria
Ganho migalha por dia
Às vêzes me falta o pão.
Eu que pensava
Em ganhar muito dinheiro
Fui mais um aventureiro
Que não deu sorte na vida
Hoje só tenho
Apenas como herança
O direito de lembrança
Da minha terra querida.

IV

Por isso eu vivo
Com meu coração partido
Pois meu ranchinho querido
Era herança dos meus pais
Sinto saudade
Do ranchinho ao pé da serra
Do meu pedaço de terra
Que eu deixei pra nunca mais.
Só resta agora
Um passado tão bonito
E um presente tão aflito
Cá não vejo o amanhecer
Até a noite
Aqui já nem escurece
Pois para mim mais parece
Que já morri sem nascer.