A Chave do Tempo

A Chave do Tempo

Histórias de milagres = A chave do tempo.

—-Era uma vêz um fazendeiro muito bom que tudo que ele plantava, colhia e dividia com seus colonos.
Vendo Deus tamanha bondade e as dificuldades que ele tinha para colher porque às vezes chovia de mais ou acontecia uma estiagem e a colheita era prejudicada, mandou então Deus à Terra, um Anjo para delegar os seguintes propósitos ao fazendeiro. Chegando o Anjo ao fazendeiro, passou a seguinte mensagem: —- Sou um enviado de Deus e sempre que  você e o povo da região precisarem  de chuvas para o plantio, ou na floração para colher boa sementes, aqui está a chave do tempo (clima). E o fazendeiro tenta responder o Anjo: —- Mas como vou usar essa tal… e percebeu que estava falando sozinho, pois o Mensageiro  já estava em outra dimensão.
Meio assustado, o fazendeiro olhava para o Céu pensando: —-o cara me disse que era um enviado de Deus, que ia me dar uma chave pra fazer chover para o povo da região e olhando para o chão, viu uma chave muito velha ao alcance de suas mãos.
Apanhou a chave no chão e apontou para o alto, como se fosse perguntar ao Anjo como se usava aquilo.
Sem saber, apontou pra uma núvem que alí passava e a nuvem começou a chover. Apontou a chave para o chão e a chuva parou.
Ele estava preparando o terreno para o plantio, quando recebeu essa mensagem Divina e voltando pra casa,  a uma meia hora dali, no caminho, começou a ouvir a voz da sua conciência: no seu ombro esquerdo o seu Anjo da Guarda que dizia: —- Lembre-se, a  Vontade de Deus deve  prevalecer e o Diabo também que consegue falar através da conciência assentado no ombro direito, também dizia:  —- Prevalece só a aqueles que não tem ambição e você  Cara, vai ser muito  ambicioso. E o Anjo do ombro esquerdo: —- É meu último aviso: lembre-se da Vontade de Deus. e o Diabo: —- Não Cara você será ambicioso sim e eu vou te ajudar.
E esse bate boca de Anjos parece ter surtido alguma alteração no comportamento do fazendeiro.
Chegando em casa gritou: —- Mulher, saia aqui fora, vou lhe mostrar uma coisa.
Quando a mulher ia saindo, ele apontou a chave a uma nuvem que ia passando e caiu uma borrasca (chuva forte). A mulher gritou: —- marido  tá chovendo e tá molhando toda roupa do varal! E o fazendeiro já com sua conciência dúbia: —- Deixa que molhe mulher.  Nós compramos outras enxutas, à  partir de hoje você não lava mais roupas. Usa  uma vêz e depois joga fora, porque seremos ricos, muito ricos. E não disse nada á mulher sobre a chave para não atrapalhar seus planos.
A mulher então: —- Há, eu tava me lembrando.  A filha do Tião vai se casar no próximo sãbado e nós nem fomos convidados. Parece que não gostam da
gente!  E o fazendeiro já meio arrogante: —- Você iria se arrepender se tivesse que ir!   —- Como assim, marido:  Se arrepender?
O fazendeiro desconversa e manda ela preparar seu banho que já está tarde.
No dia do casamento, à tarde acontece a chegada dos noivos.
E da varanda de sua sede, ouvia-se as gritarias das crinaças, as falas altas dos convidados e vamos cortar o bolo, o fazendeiro então sai com a chave até a varanda e vendo uma grande nuvem passando por cima do local onde estava havendo o casório,  apontou a chave para nuvem e.
Choveu tanto no local  do casório, que o bolo e a noiva chegaram até rodar com a enxurrada, virou um lamaçal e até a casa ficou destelhada.
E a vida foi passando sem que ninguém soubesse da chave e do poder do fazendeiro.
Mas o fazendeiro que costumava plantar 50 hectares de roça de milho pra tratar das criações, pensou alto e plantou 600 hectares.
E fazendo chover no tempo certo, sempre que a lavoura precisava, a roça cresceu com mimos e uns 5 ou 6 meses depois, era a única lavoura viçósa da região.  Cada pé de milho, tinha 3 ou 4 espigas de milho, enqunto o normal seria dar 1 ou 2 espigas.  O fazendeiro ia colher a maior safra de milho de todos os tempos.
Enquanto isso nas redondezas, o povo se reuniam cada semana em  casas diferentes para fazer novenas pra chover.
Em uma dessas casas, o fazendeiro compareceu à novena, não para rezar, mas disse o seguinte discurso ao povo: —- Vocês estão rezando, porque estão pedindo um sócio pra minha chave de fazer chover. Espero que brevemente eu compre as propriedades de todos vocês e vocês não precisem mais de fazer novenas para chover. Por que eu faço chover onde, como, quando e quanto quiser.
Dias depois, o seu Aristides, um velho senhor,  vizinho de um terreno que fazia divisa com o fazendeiro, ao nascer do Sol ele vai até a divisa com o fazendeiro
e fica mirando a lavoura do fazendeiro com 3ou4 espigas cada pé e a sua lavoura ao lado, dividida por uma estradinha e as compara sem nenhuma espiga de milho.
Nisto ele sente alguém bater em seu ombro: ele vira e vê um senhor grisalho , barbas brancas segurnado um cajado amarrado uma trouxinha apoiado em seu ombro e: —- estou de passagem por estas bandas, o senhor tem alguma coisa que eu possa comer?  E o roceiro: —- Sim senhor, a minha casa é humilde mas sempre tem alguma coisa a oferecer. —- Obrigado, agradeceu o viajante e acrescentou: —- Vejo o senhor encabulado com olhar profundo, eu poderia saber por quê?  E seu Aristides resume a história: O fazendeiro vizinho ficou com a chave do tempo e só fez chover na lavoura dele e a nossa ficaram assim toda seca sem espigas de milho para tratarmos das nossas criações?
E o velho do cajado, emendou: —- O senhor pode me fazer um  favor?
—– Colha 2 ou 3 espigas de milho de qualquer pé, de qualquer lugar da roça do fazendeiro e traz pra mim.
Seu Aristide escolheu aleatóriamente 3 espigas e trouxe para aqule senhor.
E o senhor ordenou ao seu Aristides: —-Tire a palha de uma espiga pra ver se está boa para consumo.
E o seu Aristides pegou uma das espigas com as duas mãos ; abriu metade das palhas em cada mão e apareceu só o sabugo (talo) dentro da espiga sem nem um grão de milho. Aí Deus, digo, aquele senhor com cajados mandou abrir outra espiga, também não havia se quer um grão de milho e outra também enfim a roça toda do fazendeiro, não havia se quer um grão de milho . E o Senhor com cajados acrescentou: —- Com certeza esse fazendeiro deve ter cometido excessos.
Seu Aristide começou a ficar ainda mais nervoso com a situação.
O senhor de cajado então pergunta: —- Porque estás ainda mais nervoso?
e Seu a Aristides: —- Eu pensei que ia ajudar o fazendeiro colher a roça dele em troca de espigas pra tratar das minhas criacões e ele também não colheu nada
e minha roça sem nenhuma espiga?
E o senhor de cajado então fez a seguinte abordagem: —- O senhor me faz mais um último favor ?  Me arranque de qualquer lugar  2 ou 3 pés de milho da sua roça e traz pra mim?
Seu Aristides, sem saber o motivo daquele pedido, foi numa fileira qualquer e arrancou uma cova, o qual não foi o seu espanto?  Na raiz dos pés de milho debaixo da terra haviam 3 ou 4  espigas de milho, como de fossem raízes de mandioca.  Foi pra outro canto e arrancou outra cova: mais 3 ou 4 espigas de milho. Foi pra 3ª cova e mais 3 ou 4 espigas, então ele esclamou virando-se para a direção do senhor com cajado: Isto só pode ser um mi…e percebeu que estava ali sozinho e o senhor do cajado já não estava mais alí.
Saiu na estradinha, olhou de um lado olhou do outro e só alguns pássaros estavam ali tratando dos seus filhote, mas saiu entusiasmado, sabendo que as suas criações iriam ficar a salvos, muito radiante e exclamando: “Eu conversei com Deus!!!”

Eurico P.Oliveira.            Pereiras SP   1960.  

=====================================================