A forca

A Forca

Seu Zote, um fazendeiro com mais de 1000 hectares de terras, uma das maiores propriedades da Região, já estava viúvo e tinha um filho de 15 Anos que abandonou a escola
para viver se exibindo o poder de ser filho único do maior fazendeiro da Região.
Muito cotado com as mulheres por ser filho de quem era,
ele passava semanas longe da fazenda do seu pai e só voltava pra saber se estava tudo bem com seu pai e dizer que estava muito bem.
Seu pai muito trabalhador e muito atento com a fazenda  as finanças e a administração da mesma, um certo dia chamou seu filho e disse: —- Filho. teu pai já está velho e você precisa ajudar o teu pai administrar a fazenda por que você é o único herdeiro e toda fazenda vai ser sua.
Tudo bem pai, mas o sr sabe né, eu já estou na idade de me enturmar, de viajar, de paquerar, de ir às boates, etc.  E grande parte do que o seu pai ganhava na fazenda, seu filho gastava a bel prazer: em roupas de grife, botas, chapéus, tinha o cavalo mais caro e bonito da região para passear, muitas meninas a seus pés e por sinal interesseiras, boates, farras, as amizades, as viagens, em tudo, participava
e gastava com ( e para) seus amigos.
O seu Zote, vendo que o seu filho estava irrecuperável em seu estilo de vida e impossível de torná-lo responsável pela administração da fazenda, ainda por cima de tudo, um dia  descobriu que estava com uma doença  grave, com certeza desenganado e poderia morrer em alguns meses.
Certo dia, quando seu filho retorna à fazenda depois de uma viagem que fêz aos EUA, o seu pai o chama para o seu gabinete (epécie de escritório  para efetuar os pagamentos dos colonos) e deu um último recado para o seu filho:
Filho, eu soube que lá no Miame voce além de gastar com as mulheres, você jogou jogos de azar, rolêtas e no desespero de recuperar tamanho montante, acabou com toda a reserva que havia na conta corrente do  banco.
Sabe filho, você que não pára pra pensar sobre as responsabilidades da fazenda,  nem como se administra a mesma, um dia desses eu precisei ir ao médico pois não estava me sentindo bem e lá descobri que estou com uma doença gravíssima,e estou para morrer qualquer dia desses.
E o seu filho sensibilizado com a situação, responde: —- Mas, pai porque o sr não me disse antes?
E o seu Zote vendo que o seu filho já estava preparado psicológicamente para uma notícia ruím, então aproveitou o momento e fêz o seu último pedido ao seu filho.                 Filho, você entrou aqui nesta sala(gabinete) e nem prestou atenção: tá vendo aquelas 4 tábuas pregadas entre si e no canto da parede que vão até o teto? Mais as 4 tábuas de 1 metro e meio que vem do canto alto do teto até o meio da sala?
A carretilha presa em baixo delas la no canto alto da parede e outra carretilha aqui na altura da sua cabeça com uma corda com laço de correr já pendurado na carretilha?
O filho então se antecipa e corta a conversa do pai: —-     Já sei paizão o que o sr vai me pedir: o sr quer que eu faça um poço bem aqui no meio do escriorio, não é?
Seu Zote apesar da doença terminal ainda quiz esboçar um leve sorriso com a pergunta do filho.
Mas voltou ao assunto sério que estava falando.
—- Filho, o meu último pedido é o seguinte: eu não quero que você se recuse e nem se arrependa.  Se um dia eu faltar e você tiver que administrar a fazenda, o que você nunca se preocupou em aprender, ou seja lá o que for o que aconteça , de acabar o seu dinheiro ou a fazenda por motivos excusos, eu não quero e nem gostaria que você passasse por nenhuma dificuldade como nunca passou até aos dias de hoje, nem quero que você viva como mendigo por aí ou ficar sozinho por este mundo de meu Deus.
—- Então filho, está aí o meu último pedido: se você chegar a esse ponto, você não vai ter mais nada a fazer, senão a de fazer a minha última vontade. —- Fala logo pai, tô ficando ansioso, indagou seu filho.
E o seu Zote prosseguiu: —-isto aqui é uma forca que eu construí a alguns anos atrás e quando você tiver alguma dificuldade com a fazenda, ou por falta de dinheiro, você virá aqui neste escritório, entra  embaixo do laço da corda,
sobe na cadeira, coloca o laço no pescoço, puxa e deixa bem apertado e chuta a cadeira.  É a sua única saída pois eu te conheço a quase 30 anos.
E o seu filho: —- Tá bom pai, nem sei por que o sr fêz isso, mas eu vou fazer o que o sr tá mandando se acontecer coisas erradas na minha vida, pode ficar tranquilo, pai.
Algumas semanas depois, seu Zote veio a falecer, mas já tinha deixado um testamento pronto para o seu filho, que era para seu filho não ter nenhum prejuizo de cartórios.
O filho, como não tinha experiência de administrar a fazenda e sabedor dos riscos das atitude que iria tomar, foi
ao banco e ipotecou a fazenda e passou a administrar a nova conta gorda , a qual ele possuia cheques e cartões.
Chegou para os seus colonos que lá trabalhavam e disse:
—- De hoje em diante, tudo o que vocês plantarem e colherem serão tudo de vocês: plantem o que quizerem, onde quizerem e como quizerem.  Vivam em paz.
Passado alguns Anos, depois de tantas festas, viagens ao exterior, mulheres, farras, jogos de azar, etc. um dia o rapaz percebeu que  seu dinheiro no banco havia acabado
A fazenda só produzia para os próprios colonos como ele havia prometido e nada mais podia fazer.
De repente, os seus amigos não mais o procuraram, as mulheres começaram a fugir da sua companhia, viciado em jogos que era, não podia mais arriscar a sorte no poker, por não saber administrar a fazenda perdeu-se todas as terras
pois não havia dinheiro para resgatar os títulos vencidos da
ipoteca, enfim, não encontrou saídas para vida que levava.
Chateado com a situação, revoltado pelas oportunidades que deixou escapar, sem os amigos, as mulhers, os seus vícios e nehum dinheiro para recuperar os títulos vencidos da ipoteca da sua sua fazenda, o filho lembrou-se do último pedido do seu pai antes de morrer.
Ciente da atitude que iria tomar, tomou um bom banho, vestiu a melhor roupa que havia em seu armário, Jantou como se fosse a última refeição, depois foi para o escritório que ficava ao lado da sala de estar.
Lá chegando, entrou embaixo da corda pendurada no alto, colocou a cadeira e subiu nela, botou a corda no pescoço e apertou o nó, e ainda disse as últimas palavras, quase chorando e indagando ao seu pai: —-Meu pai, como o sr sabia que um dia eu iria ter que colocar a corda no meu próprio pescoço e chutar a cadeira?
Ao chutar a cadeira, o seu corpo desceu com tanta força,
o braço da forca estava frouxo e a as tábuas muito velhas,
se soltaram e cairam  com o suicida.
Assustado, ele se solta do nó que estava já sufocando, e observa que dentro daquelas tábuas que formava o braço da forca, estava cheio de ouro e pedras preciosas, o tanto que dava para ele saldar a dívida do banco e aumentar ainda mais a sua propriedade, além de restaurar toda credibilidade que o seu pai tinha quando era vivo.
E junto dessa fortuna que estava dentro do braço da forca estava também um bilhete deixado pelo seu pai que dizia:
“FILHO, ESTA É A SUA ÚLTIMA CHANCE!”

História: Autor Desconhecido.
Redação: Apolinário P.O.Filho.

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O cachorro Valente

O cachorro Valente
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Ano de 1853, Décio um rapaz trabalhador, pai de um filhinho de 2 anos, de um cachorro raça policial de meio porte com o nome de Valente e a sua espôsa. Um dia, sua espôsa  desceu às margens do Rio Grande que cortava sua propriedade próximo à cabana onde havia construido, como habitualmente o fazia toda semana para lavar as roupas e trazer água para o consumo da casa.
Nesse dia, ela descia com uma trouxa de roupas para lavar às margens do Rio Grande, quando na trilha em que ela passava já perto das margens, pisou em cima de uma cobra cascavel que alí passava.
A cobra a picou e a  espôsa veio a falecer dias após, pois não havia sôro anti-ofídico naquela época.
Com isso, ficaram seu Décio, seu filho de 2 Anos e o seu cachorro Valente mestiço policial em sua cabana incrustrada no meio da mata, pois não havia cidade próxima na época, somente os pequenos povoados ou vilarejos.
Décio andava armado com sua cartucheira exatamente para se defender de animais como: onças, lobos, javalís e outros e tinha também o seu cachorro que o ajudava na capitura de pequenos animais para se alimentar.
Num certo dia, percebeu que estava sem mantimento para ele e o menino, para o seu cachorro policial, faltava aviamentos para a sua cartucheira então, precisava ir o  mais depressa possível para o povoado que ficava a uns 20 0u 30 km dalí, para fazer as compras necessárias à sua sobrevivência.
Para ser mais rápido na viagem a cavalo, precisou deixar em casa o seu filhinho de 2 Anos e o seu cachorro Valente, porque sozinho a viagem seria mais rápida.Ao sair de manhãzinha, deixou dentro da sua cabana o menino e o cachorro, deixou comida para o cachorro, deu bastante comida para o menino, deixou um tronco em frente a uma fresta na parede da cabana que dava prô quintal, de modo que só o cachorro conseguia sair ou entrar por alí.  Então fechou a porta da cabana e partiu rápido rumo ao povoado.
Quase no fim da tarde quando seu Décio está retornando para casa com as compras, uma tempestade começa a precipitar por toda região.
Mais de 1 hora de chuva torrencial, relâmpago e trovões, tanta chuva que a região ficou toda inundada, pois o Rio Grande chegou a transbordar. e ele não podia mais atravessar o Rio Grande pelo baixil(denominação do local por onde as águas do Rio Grande passam espraiadas), portanto só restava esperar as águas baixarem do outro lado da margem pois já estava escurecendo.
Seu Décio teve que pernoitar alí na beira do Rio até as águas baixarem para fazer a atravessia.
Cortou algumas folhas de bananeiras pois as faces internas das mesmas estavam enxutas, fêz do arreio o seu travesseiro, deitou-se e começou a refletir a situação em que se encontrava, o de estar alí à beira do Rio sem poder atravessar do outro lado, a alguns Km dalí na sua cabana, o seu filho de 2 Anos sozinho e com fome naquelas alturas e o seu cachorro Valente também com fome junto do seu filho, se de repente seu filho cai e se machuca a ponto de sangrar-se e o cachorro resolve atacá-lo por que está faminto e resolve se alimentar do seu próprio filho.
Mas muito cansado da viagem que estava, acabou adormecendo e teve um pesadêlo horrível: viu que o seu cachorro atacava o seu filho e o ataque foi com tanta fúria
que ficou com o corpo todo ensanguentado pelo ataque ao menino.
Seu Décio nesse momento, acordou assustado pois já estava amanhecendo.
Enqunto pensava nessa possibilidade cruel, conseuiu fazer a atravessia do Rio, e tentava fazer a cavalgada mais rápida enquanto o seu pensamento parecia uma visão e que ele precisava chegar o mais rápido possível para não acontecer uma tragédia ainda maior se é que poderia evitá-la.
E quando vai chegando próximo à cabana, já sente um silêncio quase que profundo, o cachorro não saiu ao seu encontro , o que deveria acontecer, sente que dentro da cabana não há nem um ruído, nem da criança e nem do seu cachorro, pensou como num estalo: Meu Deus, cheguei tarde de mais, tirou as madeiras que fazia de porteira, sacou da cartucheira que estava pendurado no arreio do cavalo, já tremendo com o que poderia estar acontecendo.
Ao ouvir o barulho de quem estava mexendo no cercado, o seu cachorro Valente começa a latir dentro da cabana e sai pela fresta do lado de fora e vai ao encontro do seu Décio.
O cachorro, um policial de médio porte todo acinzentado por cima e todo branco do focinho até a barriga nas partes inferiores, saiu latindo abanando o rabo por ter reconhecido ao seu dono, porém toda a pelagem branca, estava avermelhada, suja  de sangue e já está no meio do terreiro para saudar o seu dono, quando o seu        Décio lembrou do pessadêlo que teve e já estava vendo se transformar em realidade, no mesmo silêncio que havia chegado, apontou a cartucheira bem na cabeça do animal e apertou o gatilho.
Jogou a cartucheira no chão e correu desesperado até a porta da cabana gritando, e se lamentando dizendo: — meu Deus , o que será que aconteceu? E chamava por seu filho com a voz já embargada, esperando o pior.
Rápidamente abre a porta da cabana e se depara com o seu filhinho brincando de puchar o rabo de uma onça morta alí no meio da sala, que o seu cachorro Valente, havia acabado de matar depois de uma luta sangrenta para salvar o menino.

(História: Autor Desconhecido).
(Redação : Apolinário P O Filho).

O rapazinho e o Cavalo

 O Rapazinho e o Cavalo

Um Rapazinho de 10 ou 12 Anos, família humilde do povoado gostaria tanto de ter um cavalo para ir à escola, prô trabalho, prô lazer, etc.
Mas ele queria tanto um cavalo que até a vizinhança do povoado já sabia da vontade que ele tinha.
E o seu pai, um senhor muito religioso dizia a seu filho: se você tiver um cavalo, É da Vontade de Deus.
Um belo dia, passa pelo povoado bem na rua em que o rapazinho morava, uma tropa com dezenas de animais (cavalos) seguindo viajem para outra região.  Então o rapazinho ficou em cima do portão da sua casa apontando com o dedo cada animal que passava: vou comprar esse, esse, mais esse, aquele, mais aquele e quando passou a tropa toda o último cavaleiro, o dono da tropa,  parou seu alazão e perguntou ao rapazinho: aquela égua acabou de criar e o seu filhote não tem forças para seguir com a tropa, você quer ficar com o filhote?
Mas eu não tenho dinheiro, moço respondeu o rapazinho.  Não precisa de dinheiro não, vou dá-lo de presente!
E deixou o filhote para o rapazinho e seguiu viajem.
Nisto vem o vizinho e comenta com o pai do rapazinho:
—- Seu Olavo, que sorte teve seu filho, heim!  Sonhou tanto com um cavalo, que acabou ganhando um.
E seu Olavo muito ponderado, Responde: —- Pode ser para o bem, ou para o mal!  É a Vontade de Deus.
Alguns Anos depois, já estava um cavalo formado, bem domado e tratado, o rapazinho já estava um jovem de 18 Anos, que passeava com seu cavalo pelo povoado e o seu vizinho comentava: —- Que sorte tem seu filho heim seu Olavo, passeando com o cavalo que ganhou do tropeiro!
Pode ser para o bem, ou para o mal.  É a vontade de Deus!
Alguns meses depois, o jovem vai até a cocheira para atrelar o cavalo e o cavalo não estava lá, procurou pelo pasto e não encontrou, o cavalo não era castrado, fugiu da propriedade, indo para uma mata virgem que fazia divisa com o pequeno sítio dos pais do jovem, possivelmente à procura de uma fêmea.
Já passava mais de um mês e o jovem não mais via seu cavalo e o seu vizinho comenta com o seu Olavo: —- Que azar teve seu filho, heim seu Olavo:  ganhou o cavalo, criou, domou, comprou arreios e agora fugiu!
E o seu Olavo respondeu: -Pode ser para o bem, ou para o mal. E se for o o mal, foi para o bem. É a vontade de Deus.
E mais um mês depois, o jovem abatido pela perda do cavalo, acorda de manhãzinha, porque tinha ouvido relinchos de madrugada e não sabia se era sonho ou era realidade e eis que em seu curral, lá estava o seu cavalo de volta com mais de uma dezena de outros animais (cavalos selvagens) que o acompanharam até o estábulo.
O jovem mais que de pressa, fecha o portão do curral e começa a cuidar dos animais que lá apareceram.
Aí,  o vizinho comenta com seu Olavo: —- Que sorte teve seu filho, heim seu Olavo: —- o cavalo voltou e trouxe mais de uma dezena de presente para seu filho, sorte mesmo! E o seu Olavo ponderado como sempre, responde:
Pode ser para o bem, ou para o mal.  É a vontade de Deus!
Depois de ter domado e vendido diversos deles, num certo dia estava domando um cavalo que ao sair a galope,
o cavalo tropeçou e cairam: cavalo e cavaleiro ao chão.
Ao cairem, o cavalo caiu em cima de uma das pernas do jovem, o qual teve uma fratura exposta na perna acima do joelho ( no fêmur, o maior osso do corpo humano).
Com isso, o jovem foi levado para um hospital, onde ficou 20 dias internado em uma clínica, para fazer cirurgias, colocação de pinos, remoção dos pontos, etc.  E quando o jovem volta ao povoado numa cadeira de roda, o seu vizinho comenta novamente:—- Que azar teve o seu filho, heim seu Olavo:  Agora que estava ganhando dineiro amansando e vendendo os animais, quebrou a perna e vai ficar alguns Anos  em cadeira de rodas, em muletas até aprender a andar novamente!
E o seu Olavo com a sua fé católica, responde: —- Pode ser para o bem, ou para o mal! E se foi para o mal, pode ser para o bem.  É a vontade de Deus.
Algumas semanas depois, um acontecimento inesperado aconteceu naquele povoado: uma guerra civil foi declarada entre o povoado e a província vizinha que era 3 vezes maior que a população do povoado e todos os jovens acima de 18 Anos tiveram que alistar-se para se enfrentarem nas batalhas com seus fuzís.
E o seu vizinho, de novo volta a falar com seu Olavo:
—– Que sorte teve o seu filho, heim seu Olavo:Com a perna quebrada e numa cadeira de rodas, foi dispensado do alistamento militar. Muita sorte mesmo!
E o seu Olavo responde: —-Eu não disse?  Pode ser para o bem, ou para o mal.  E se foi para o mal, pode ser para o bem!  É a vontade de Deus que fêz com que nosso filho estivesse vivo aqui entre nós, neste momento tão crucial.

(História: Autor Desconhecido)
Redação: Apolinário P.O.Filho

 

 

 

 

O Holandês e o Pássaro

—–Um Holandês passeava em uma de suas propriedades com  a sua carruagem, sob um frio inteso de -4° da região, quando deparou em seu caminho com um pássaro caído preste a morrer pelo frio que o deixou inerte alí no chão.
—— O holandês muito generoso com as aves e animais,
então parou a carruagem, apanhou o pássaro, viu que o mesmo estava vivo, começou a reanimá-lo.
——Como precisava de calor contínuo para salvá-lo, num reflexo de escoteiro que foi um dia, ele viu ao lado do cercado que fazia divisa com a estrada uma vaca que acabara de fazer um cocozão que fazia muita fumaça , devido a temperatura do seu corpo que era mais de 30°.
—–E mais que depressa, o holandês colocou o pássaro em cima do estrume para que recebesse o calor necessário, para sua sobrevivência.
——Na certeza de que tinha feito uma boa ação, deixou o pássaro alí em cima do estrume e seguiu sua viagem.
—— E o pássaro alí em cima do estrume quente, começou a ganhar vida novamente: esticou uma perninha, esticou a outra, abriu uma asinha, abriu a outra e quando estava preste a sair voando novamente, percebeu que os seus pezinhos estavam presos ao estrume que já estava secando.
——Por mais que tentasse voar, não conseguia se desprender do estrume.  Nisto apareceu uma cobra provavelmente atraída pelos barulhos das suas asas e num só bote, abocanhou o pássaro, o arrancou do estrume e foi comê-lo atrás de um arbusto que existia ao lado.
—– MORAL DA HISTÓRIA:
Nem todos que te põe na merda, é teu inimigo.
E nem todos que te tiram da merda, é teu amigo!

OBS: A sinópse, é de um Autor Desconhecido.
A redação, é minha! (Apolinário POFilho)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cordel – Lembranças

HISTÓRIASMIL
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Eurico Paes de Oliveira, senhor da roça do bairro das Abóboras Municíppio de Pereiras SP., íntegro, honesto e humilde, com seus 28 anos, em (1959)ele acordou de um sonho e depois contava para a família esse episódio (A sinópse)da Espiga de Milho.  Eu acrescentei ao episódio, a conversa dos dos Anjos e do Casamento e o título, O Senhor do Tempo.(Conto, com mais um ponto).
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01) O cachorro sujo de sangue. = Conto popular (Autor Desconhecido).
02) Alma prô diab. =  História verdadeira acontecida em Pereiras SP.
03) A praga do Padre. = História acontecida em Pereiras SP.
04) A Alma ensina simpatia. = Historia acontecida no Bº Ximbó Pereiras SP.
05) A senhora do retrato. =  Com Autor de Moda de Viola.
06) O relógio quebrado. =  Com Autor de Moda de Viola.
07) José Santana. =  Com Autor de Moda de Viola.
08) o Milagre da Rosa. =  Com Autor de Moda de Viola.
09) O fazendeiro e o Divineiro. =  História verdadeira acontecida em Laranjal Paulista SP. Contada p/Autor Apolinário.
(10) A espiga de Milho.(JEd) =  Autor Eurico P.Oliveira.
(11) Minha mão vai crescer.(JED) =  Autor desconhecido.
12) A forca. =  Autor desconhecido. =  Autor desconhcido.
13) Pode ser verdade, pode ser mentira. = Autor desconhecido.
14) A taça de vinho benzido. = História verdadeira acontecida em Pereiras SP.
15) Mãe e filha em acidente na Castelo Branco. Com Autor de Moda de Viola.
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CORDEL
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LEMBRNÇAS DO PASSADO

09/06/1975 / Sítio da
Escolinha  Bº Abóbora
Pereiras Interior SP.

Vô contá o meu passado,
O que a memória guardô.
Sô nascido lá num sítio,
Herança do meu Avô.
No meio de tantas cobra,
Lá no Bº das Abobra,
Donde Indalécio morô.

Em uma casa de barro,
Esteio cheio de nó.
E as ripa de taquara,
Amarrada cum cipó.
Como se fosse filêra
Nos cabide de madêra,
Inroscava o palitó.

No tempo que eu usava,
A veia carça arremendada.
O butinão coum meia sola,
E a camisa xadreizada.
Como um rabo de tatu
A cinta de côro cru,
De fivela inferrujada.

O enorme chapéu de paia
Que é prô Sór num castigá.
E o lenço no pescoço
Não detxava de usá.
I sapateano pelo barro
Ateava um cigarro
Pa despoi í trabaiá.

Arreava a égua baia
E saía lá pras vendas
Meu maió pobrema era
Num fartá coás incomenda
Cum uma inxada de carpi
Vortava cedo pra í
Na roça levá as merenda.

Quando a turma me avistava
Largava as inxada no eito
I no pé de guaiuvira
Eles sentava de jeito
Gulosos que nem criânça
Despoi que inchia a pança
O corpo ficava dereito.

Me recordo cum sodade
Do canário de gaióla
Dos cachorro i dos gato
I das galinha de angola
Parecia tirá sarro
O casá de djuão de barro
Coás sua cantarola.

I tamém dos curiango
Do Luá das madrugada
dos cantá das ciriema
Do revoá das passarada
Dotras coisa que nem falo
Tamém do cantá dos galo
Anunciano a arvorada.

Do terrero bem varrido
Aunde brincava cum bola
Eu fazia tudo o que vinha
Drento da minha cachola
Do carriadô das lavôra
Do trole da Professora
I das crianças da escola.

I da pulenta cum leite
Do gostoso arroi cum suã
Do cafezinho bem forte
Que eu bebia de manhã
Aqui pra nói que convenha
Feito no fogão à lenha
que só fazia picumã.

Que sodade a gente tem
De oví aqueles fato
As caçada as pescaria
que fazia pelos mato
Quase num pegava nada
Parecia inté piá da
Só pegava carrapato.

I tamém daqueles tanque
Aunde pescava taríra
Das caçadas de codorna
De marreca e batuíra
Coçano bicho de pé
Dizia proeza que inté
Dava gosto sê caipira.

Se o tempo era de sêca
Os rio pegava baixá
Aí pegava as penêra
Pa no poço mariscá
Oiano as tóca lisa
A turma ía coás fisga
I ôtra cum passaguá.

Muitas coisa se incontra
Na minha recordação
Do arroi no maiadô
Das arranca do feijão
A derriça do café
Que nói coroava o pé
I da panha do argodão.

I daqueles mutxirão
Num sai nunca da lembrança
Pra terminá um serviço
cunvidava a vizinhança
Tudo ía lá prô eito
Numa ajuda desse jeito
Quarqué entrava na dança.

Era um barreo de casa
O pa lavrá as invernada
O uma roçada de pasto
Se runía as cambada
Tanto os véio como os moço
Im troca da pinga e o armoço
Ninguém não cobrava nada.

I o bunito perfí das mata
Nas noite que tem Luá
I das réstia que as cascata
Fazia no Sór raiá
I os cantá das cigarras
Fazendo baita argazarra
Na hora do Sór entrá.

I quando chegava a tarde
Num é bão inté lembrá
Um tocabva o viô lão
Otro saía pescá
Mai despoi tudo runía
Cum as barriga vazía
Bem na hora de jantá.

I tamém daquelas noite
Parecia uma runião
Sentava quatro na mesa
Cum um baraio na mão
Prêles tudo tanto fazia
Se ganhava ô perdia
Prêles sempre tava bão.

Se chegava onze a onze
No truco era uma festa
Jogava um treis  i dizia
Ninguém pode cortá esta
I na cadera ele se ajeita
Despoi da primera feita
Pregava o zape na testa.

I ainda os cururu
Cum seu cantá impruvisado
Contava história da bríbia
Ô de verso incontrado
Na carrera de São Djuão
que tudo termina im ão
Ô na carrera do sagrado.

Me lembro da goiabêra
Do tacho de goiabada
Dava gosto inté de vê
Disso num esqueço nada
Nas bêra nói melecava
Coás raspa que detxava
Pra intretê as criançada.

Daquele véio minjolo
Num é bão inté lembrá
Café mío ô arroi
Pa muê ô pra limpá
Naquele enorme pilão
Incheno o balaião
Saía quarta de fubá.

Do ingenho de muê cana
Seu gemê desafinado
I das lata de garapa
I do tatcho de melado
Ô lambia na cuínha
Se comia cum farinha
De saí inlambusado.

Lembro do cantão de lenha
Pra ascendê a larêra
I a chaminé coitada
Fumaciava a vidintêra
Cum um fogão bem latente
A chapa vivia quente
Pa num esfriá a chalêra.

I a luz de querozene
O antigo lã pião
Detxava uma na mesa
Ôtro im riba do fogão
Inté me dava agunia
os danado só fazia
Mai fumaça que crarão.

Daquela frase bunita
Tão difice de esquecê
Daqueles rôlo de fumo
Que fazia pra vendê
— Espremente, que maciu
Iguar esse cê num viu
I é bão de ascendê!

Picava fumo coá faca
I esfarelava na mão
Inliava im paia fina
pro sabor fica mai bão
Despoi ía pra cuzinha
Um brasêro sempre tinha
I ascendia cum tição.

I daqueles cumprimento
Do jeito que respondia
Do bá tarde do teá vorta
Tamém o até quarqué dia
— Bá noite! Mecê tá forte?
Ôtro responde sem corte
— Ansim i ocê! ôtro dizia.

Quando matava porco
Poi lá tinha cum abundãncia
Repartia um pedaço
Pa toda vizinhança
Dava o pedaço maió
Um prato cheio num bocó
Pra quem tinha mai criança.

Levava o prato de carne
Chegava inté a portêra
A vizinha arrecebia
Sempre cum boas manêra
I sempre na mema base
Me dizeno a mema frase:
— pra quê? Essa trabaiêra?

I dos véio divinêro
Arrecebia sem espanto
Dava café i esmola
Lovano o Esprito Santo
Pelas graça arrecebida
Cum as promessa cumprida
Se cobrino coô manto.

I das véia benzedêra
Tinha um jeito interessante
Pra benzê as criancinha
de lumbriga i de quebrante
De tirícia, siminhoto
de sapinho gafanhoto
Inté de duença contadgiante.

Das sexta-fêra maió
guardava cum muita fé
De manhã nói só bebia
Meia chicra de café
De falá inté rupia
Dizia que nesse dia
Tava sorto o lucifé.

I quando eles contava
estóia de assombração
Dos vurto que se mexia
No meio da escuridão
Contano cheio de orgúio
Pa num escuitá o barúio
Pisava forte no tchão.

Daquelas aparição
de dgente que djá morreu
Do vurto da incruziada
Que prôs ôtro apareceu
Que balançava as ramada
Lá das mata assombrada
Que muita dgente correu.

Da estória do bitatá
Que via nas madrugada
Duas bola de fogo batia
Faisca cubria a estrada
Podia inté sê valente
Quem via isso na frente
Vortava toda rupiada.

Das estória dos saci
Que fazia se perdê
Quando atentava a gente
Num adiantava se benzê
Com as ideia torta
Atchava o caminho de vorta
Só no dia amanhecê.

Me lembro tamém dos baile
Só dançava arrastapé
De batxo do palizado
I tomá tábua das muié
O sanfonêro acumpanhado
O baile era animado
Cum réco-réco i cuié.

Dançava a noite intêra
Inté o dia crariá
Fetchava as porta i jinela
Pra mór do Sór num entrá
I o sanfonêro cuitado
Parecia desmaiado
Tchegava inté cuchilá.

I das festa da Capela
Dava prena prôs leilão
Se num era um bezzero
Era um frango ô um leitão
Num negá nenhuma prenda
I caprichá nas oferenda
Era nossa obrigação.

I tamém as grandes festa
Das noite de San Djuão
Paçoca, minduim torrado
Cachaça i muito quentão
Mío verde i pipóca
Melado cum mandioca
i castanha de pinhão.

De tanto lembrá o passado
Inté fiquei comovido
Aquelas coisa de dante
Calacrô no meu sintido
Êta sodade danada
Das coisa bem ingraçada
Daqueles tempo querido.

Só resta dizê o adeus
I terminá esta estória
Os que viro o passado
Um mundo tcheio de grória
Djá num tão mai entre nói
Só sodade que mai dói
Mai vive em nossa memória.

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Inveja, Deus

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—- A inveja é uma doença pior que a AIDS:
A AIDS, enfraquece e mata.
A INVEJA aborresse e assassina
Apolinário P.O.Filho.

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Deus é o Único Ser Celestial capaz de se multiplicar por bilhões
de vezes, só para estar ao nosso lado.
Apolinário P.O.Filho.
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“Leia como se fôsse uma história infantil,
Mas não chore, feito uma criança!”
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Me esqueça de vêz

Me esqueça de vêz

I
Você só quer que eu fique ausente,
Pois ama outro na verdade.
Mesmo assim estou contente,
É pra minha felicidade.
Se ama outro certamente,
Tudo entre nós foi falsidade.
Mas, eu só quero realmente,
Te encontrar por amizade.

Estribilho

(Vai com outro, vai
(Vê se  me esqueçe, de vêz.
(Vá e não olhe pra trás,
(Por todo mal que me fêz.

II
Se eu estou aqui chorando,
De raiva por te conhecer.
Se estivesse me amando,
Eu sem poder corresponder.
O luxo que está procurando,
Eu jamais  pude  oferecer,
Até já ia me ferrando,
Quase comprando um bouquet.

Pereiras, 07 Dezembro 1965 (16A)

Apolinário P.O.Filho.

A Chave do Tempo

A Chave do Tempo

Histórias de milagres = A chave do tempo.

—-Era uma vêz um fazendeiro muito bom que tudo que ele plantava, colhia e dividia com seus colonos.
Vendo Deus tamanha bondade e as dificuldades que ele tinha para colher porque às vezes chovia de mais ou acontecia uma estiagem e a colheita era prejudicada, mandou então Deus à Terra, um Anjo para delegar os seguintes propósitos ao fazendeiro. Chegando o Anjo ao fazendeiro, passou a seguinte mensagem: —- Sou um enviado de Deus e sempre que  você e o povo da região precisarem  de chuvas para o plantio, ou na floração para colher boa sementes, aqui está a chave do tempo (clima). E o fazendeiro tenta responder o Anjo: —- Mas como vou usar essa tal… e percebeu que estava falando sozinho, pois o Mensageiro  já estava em outra dimensão.
Meio assustado, o fazendeiro olhava para o Céu pensando: —-o cara me disse que era um enviado de Deus, que ia me dar uma chave pra fazer chover para o povo da região e olhando para o chão, viu uma chave muito velha ao alcance de suas mãos.
Apanhou a chave no chão e apontou para o alto, como se fosse perguntar ao Anjo como se usava aquilo.
Sem saber, apontou pra uma núvem que alí passava e a nuvem começou a chover. Apontou a chave para o chão e a chuva parou.
Ele estava preparando o terreno para o plantio, quando recebeu essa mensagem Divina e voltando pra casa,  a uma meia hora dali, no caminho, começou a ouvir a voz da sua conciência: no seu ombro esquerdo o seu Anjo da Guarda que dizia: —- Lembre-se, a  Vontade de Deus deve  prevalecer e o Diabo também que consegue falar através da conciência assentado no ombro direito, também dizia:  —- Prevalece só a aqueles que não tem ambição e você  Cara, vai ser muito  ambicioso. E o Anjo do ombro esquerdo: —- É meu último aviso: lembre-se da Vontade de Deus. e o Diabo: —- Não Cara você será ambicioso sim e eu vou te ajudar.
E esse bate boca de Anjos parece ter surtido alguma alteração no comportamento do fazendeiro.
Chegando em casa gritou: —- Mulher, saia aqui fora, vou lhe mostrar uma coisa.
Quando a mulher ia saindo, ele apontou a chave a uma nuvem que ia passando e caiu uma borrasca (chuva forte). A mulher gritou: —- marido  tá chovendo e tá molhando toda roupa do varal! E o fazendeiro já com sua conciência dúbia: —- Deixa que molhe mulher.  Nós compramos outras enxutas, à  partir de hoje você não lava mais roupas. Usa  uma vêz e depois joga fora, porque seremos ricos, muito ricos. E não disse nada á mulher sobre a chave para não atrapalhar seus planos.
A mulher então: —- Há, eu tava me lembrando.  A filha do Tião vai se casar no próximo sãbado e nós nem fomos convidados. Parece que não gostam da
gente!  E o fazendeiro já meio arrogante: —- Você iria se arrepender se tivesse que ir!   —- Como assim, marido:  Se arrepender?
O fazendeiro desconversa e manda ela preparar seu banho que já está tarde.
No dia do casamento, à tarde acontece a chegada dos noivos.
E da varanda de sua sede, ouvia-se as gritarias das crinaças, as falas altas dos convidados e vamos cortar o bolo, o fazendeiro então sai com a chave até a varanda e vendo uma grande nuvem passando por cima do local onde estava havendo o casório,  apontou a chave para nuvem e.
Choveu tanto no local  do casório, que o bolo e a noiva chegaram até rodar com a enxurrada, virou um lamaçal e até a casa ficou destelhada.
E a vida foi passando sem que ninguém soubesse da chave e do poder do fazendeiro.
Mas o fazendeiro que costumava plantar 50 hectares de roça de milho pra tratar das criações, pensou alto e plantou 600 hectares.
E fazendo chover no tempo certo, sempre que a lavoura precisava, a roça cresceu com mimos e uns 5 ou 6 meses depois, era a única lavoura viçósa da região.  Cada pé de milho, tinha 3 ou 4 espigas de milho, enqunto o normal seria dar 1 ou 2 espigas.  O fazendeiro ia colher a maior safra de milho de todos os tempos.
Enquanto isso nas redondezas, o povo se reuniam cada semana em  casas diferentes para fazer novenas pra chover.
Em uma dessas casas, o fazendeiro compareceu à novena, não para rezar, mas disse o seguinte discurso ao povo: —- Vocês estão rezando, porque estão pedindo um sócio pra minha chave de fazer chover. Espero que brevemente eu compre as propriedades de todos vocês e vocês não precisem mais de fazer novenas para chover. Por que eu faço chover onde, como, quando e quanto quiser.
Dias depois, o seu Aristides, um velho senhor,  vizinho de um terreno que fazia divisa com o fazendeiro, ao nascer do Sol ele vai até a divisa com o fazendeiro
e fica mirando a lavoura do fazendeiro com 3ou4 espigas cada pé e a sua lavoura ao lado, dividida por uma estradinha e as compara sem nenhuma espiga de milho.
Nisto ele sente alguém bater em seu ombro: ele vira e vê um senhor grisalho , barbas brancas segurnado um cajado amarrado uma trouxinha apoiado em seu ombro e: —- estou de passagem por estas bandas, o senhor tem alguma coisa que eu possa comer?  E o roceiro: —- Sim senhor, a minha casa é humilde mas sempre tem alguma coisa a oferecer. —- Obrigado, agradeceu o viajante e acrescentou: —- Vejo o senhor encabulado com olhar profundo, eu poderia saber por quê?  E seu Aristides resume a história: O fazendeiro vizinho ficou com a chave do tempo e só fez chover na lavoura dele e a nossa ficaram assim toda seca sem espigas de milho para tratarmos das nossas criações?
E o velho do cajado, emendou: —- O senhor pode me fazer um  favor?
—– Colha 2 ou 3 espigas de milho de qualquer pé, de qualquer lugar da roça do fazendeiro e traz pra mim.
Seu Aristide escolheu aleatóriamente 3 espigas e trouxe para aqule senhor.
E o senhor ordenou ao seu Aristides: —-Tire a palha de uma espiga pra ver se está boa para consumo.
E o seu Aristides pegou uma das espigas com as duas mãos ; abriu metade das palhas em cada mão e apareceu só o sabugo (talo) dentro da espiga sem nem um grão de milho. Aí Deus, digo, aquele senhor com cajados mandou abrir outra espiga, também não havia se quer um grão de milho e outra também enfim a roça toda do fazendeiro, não havia se quer um grão de milho . E o Senhor com cajados acrescentou: —- Com certeza esse fazendeiro deve ter cometido excessos.
Seu Aristide começou a ficar ainda mais nervoso com a situação.
O senhor de cajado então pergunta: —- Porque estás ainda mais nervoso?
e Seu a Aristides: —- Eu pensei que ia ajudar o fazendeiro colher a roça dele em troca de espigas pra tratar das minhas criacões e ele também não colheu nada
e minha roça sem nenhuma espiga?
E o senhor de cajado então fez a seguinte abordagem: —- O senhor me faz mais um último favor ?  Me arranque de qualquer lugar  2 ou 3 pés de milho da sua roça e traz pra mim?
Seu Aristides, sem saber o motivo daquele pedido, foi numa fileira qualquer e arrancou uma cova, o qual não foi o seu espanto?  Na raiz dos pés de milho debaixo da terra haviam 3 ou 4  espigas de milho, como de fossem raízes de mandioca.  Foi pra outro canto e arrancou outra cova: mais 3 ou 4 espigas de milho. Foi pra 3ª cova e mais 3 ou 4 espigas, então ele esclamou virando-se para a direção do senhor com cajado: Isto só pode ser um mi…e percebeu que estava ali sozinho e o senhor do cajado já não estava mais alí.
Saiu na estradinha, olhou de um lado olhou do outro e só alguns pássaros estavam ali tratando dos seus filhote, mas saiu entusiasmado, sabendo que as suas criações iriam ficar a salvos, muito radiante e exclamando: “Eu conversei com Deus!!!”

Eurico P.Oliveira.            Pereiras SP   1960.  

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Digníssimo Canalha

Digníssimo Canalha

Pelo presente instrumento, venho dirigir-me a vossa excelência. Com minúsculas e na segunda pessoa, pessoa de segunda que és, mauricinho de nariz empertigado. Tu, que te ocultas, sorrateiro, por trás dessa impecável e pretíssima toga funesta. Tu que recebes aprumado a reverência do povo de joelhos à espera de tuas soberanas e irretocáveis decisões peremptórias. Tu que estás imbuído da divina prerrogativa, intransferível e vitalícia, de deliberar sobre o destino dos homens que habitam o mun­do dos vivos, já que o dos mortos foge à tua jurisprudência, instância suprema à do teu supre­mo (embora nutras anseios em manter paridade e equiparação divina com Aquele que exerce tal competência). Tu que reclamas indignamente indignado por direitos inalienáveis e vives na intimidade inescrutável de tua vida pri­vada de práticas inconfessáveis. Tu mesmo, nobre calhorda, que de tanto exercer o ofício de julgar os outros, passaste a julgar-te acima dos outros.
Venho oficiar-te, honorável patife, que há mais retidão e honra na palavra espontânea e honesta que brota do coração de um humilde homem iletrado do povo do que no alfarrábio que sustém tuas áridas, infindáveis, mirabolantes e ordinárias sentenças. As mesmas que revestes, vaidoso, em capa dura, fazendo-as constar com letras doura­das dos anais que ostentas nas prateleiras intermináveis onde expões tua soberba grandiloquência farisaica e tua rocambo­lesca sapiência estéril.
Amealhas com vileza recursos tomados do povo injustiçado para manter intacto esse intrincado e indecifrável sistema, tão inócuo quanto iníquo, que qualificas cinicamente de Justiça, a fim de cobrir com aura de magnificência e infalibilidade essa espeta­culosa e suntuosa pantomima patética e embusteira que deixa boquiabertas as legiões dos sem-justiça desse país, mantidas sob o jugo do teu julgar.
Cultivaste esse interminável cipoal de leis, decretos, normas, códigos, tratados, regimentos, resoluções, regula­mentações, pareceres, dispositivos, medidas provisórias e embargos infringentes, para reservares a ti próprio o monopólio do conhecimento e das práticas a ti outorgadas (adivinha!) “por lei”, afastando o povaréu ‘abestado’ de teu demarcado territó­rio. Para que, na mesma medida em que amplias a doutrina do direito, reduzas o primado da justiça.
A chave de tua inoperância chama-se prazo. Conside­raste, eminente pulha, que, após décadas de espera, a sentença já foi proferida, independente do transitado em julgado? Abstrais, emérito canalha, a variável tempo sob pre­sunção de que o tempo é uma mera ‘questão de tempo’. Adias, protelas, procrastinas, prorrogas, retardas, demoras, protrais, diferes, pospões, alongas, espichas, espacejas, alastras, esticas, dilatas, intervalas, encompridas, acresces, amplias, expandes, empurras com a barriga. Pois, então, devo informar-te, distinto safardana, que quem aguarda por anos, seja nutrindo a raiva da privação de benesses não fruídas, seja gozando do deleite de penas não cumpridas, já é repositório da sentença, seja esta qual for. Em meio a tantos réus, jurados e testemunhas, apenas um deve ser declarado culpado em todas as instâncias: tu, criatura ignóbil.
Sai da tocaia, egrégio velhaco. Desce desse palácio de letras, capítulos, parágrafos, alíneas, incisos, caputs e cláusulas em que te enclausuras. Cumpre salientar, excelentíssimo pústula, que as ruas, caso não observes do palácio que construíste (sem decurso de prazo) para te isolares da re­alidade de fato e de direito, estão repletas de malfeitores que levianamente livrastes das masmorras. Não por um senti­mento benevolente de perdão ou por uma crença abnegada no poder de recuperação humana mas por um incompreensível pragmatismo jurídico. Delinquentes de toda a es­pécie a quem remistes da pena, hoje libertos de punição, em uníssono, zombam, sob tua retumbante indiferença, dos tolos que se pautam em princípios e honradez.
Vivem os justos à margem das formalidades legais que queres agrilhoar a cada cidadão, a fim de emparelhares todos pelo mesmo nível de calhordice que imaginas serem, por na­tureza, dotados. Por certo, espelhando tua maneira de te com­portar e de enxergares os homens para necessitarem de tua mediadora e interesseira presença, seu justiceiro de araque.
Sob o manto do teu glorificado ‘estado de direito’, ca­nalhas, corruptos, patifes, ladrões de todas as espécies ascenderam aos postos de direção com a tua serena condescendência. Mais: com a tua cruel cumplicidade. São estes que tratas com a mais alta leniência, amparando-os com a força irrefutável da lei, draconiana indulgência e into­lerância zero. Cobrindo a impunidade com o manto legalista da imu­nidade.
De quem é a culpa? “Dos legisladores, do governo, da polícia, da falta de juízes, da falta de vagas no sistema prisional, da falta de investimento, da má distribuição da renda, do desemprego, da falta de políticas públicas, dos baixos salários, da alta dos juros, do neoliberalismo, da crise do euro, da colonização portuguesa, da gripe suína, do derretimento das calotas polares”, bradas indignado. Tu, homo vermis, és o único triplamente qualificado como “not guilty” nessa história. Justo tu! “Por falta de provas”, provas.
Todo teu empenho é de não punir. Inocentes ou culpa­dos, pouco importa. ‘In dubio pro reo’, desde que teus honorá­rios sejam quitados ‘in specie’ com correção, exatidão, integri­dade e… justiça.
E assim, pelos mais variados pretextos, vais libertan­do das grades todos os poderosos tubarões, reservando os horrores dos calabouços aos despossuídos que não participam do pecúlio que sustenta a devassidão moral que apadrinhas, consagrando esse país como o paraíso da impunidade. Deixa de hipocrisia. A quem pretendes enganar dizen­do que és a fonte da Justiça? Teu ofício é apenas advogar em prol de vermes, devolvendo­-lhes em serviços pérfidos o peso do ouro que repassam a teus confrades. A justiça é o contrário de ti. É tornar o mundo humano, decente, com as pessoas podendo se olhar de frente, confian­do umas nas outras. Prescindindo de teus sórdidos préstimos.
Justiça seja feita: quem te sustenta, respeitável biltre, são apenas os safados. Os fora-da-lei que, por fora da lei, julgas. Crápulas que, dispensando nobres considerações éticas, estudam teus intrincados preceitos e se formam doutores para assimilar os meios legais, penais, constitucionais e amorais de permanecer impunes e qualificarem-se a ingressar em tuas ro­dinhas infames. Partilharem do papo do cafezinho do fórum. Onde, restritas às indevassáveis paredes que os protegem, ro­lam torpezas inimagináveis. Tornam-se teus amigos e cupinchas. Uma corporação fechada de rábulas parasitas. Justamente!
Os princípios de retidão e civilidade estão dentro de nós (e fora de ti). Num mundo de justos, tua justiça não se ajusta. Gente honrada entende-se entre si, sem necessitar da tua protocolar intermediação. Bastam os princípios. Quem carece de lei são os que dela vivem à margem. Se para os honrados, é des­necessária e para os bandidos, ineficaz, para os da escória que integras, é verba no bolso.
Data vênia, vai pro quinto dos infernos.

Digníssimo Canalha
P/  Sérgio Sayeg

Fonte: oquedemimsoueu.blogspot.com.br – 10/12/2013